Estudo sobre Filipenses 2:8

Estudo sobre Filipenses 2:8





Ao prosseguir Paulo diz: “E reconhecido em atitude como humano, humilhou-se a si mesmo, tornado obediência até a morte, mas à morte da cruz”. Torna-se completamente impossível ignorar a relação desse agir de Jesus com o evento do trágico pecado. É verdade que aqui tampouco é dita uma palavra clara a esse respeito. Primeiramente é o amor filial de Jesus que brilha aqui com seu fulgor próprio e soberano. O Filho deseja mostrar ao Pai: Pai, tu me elevaste tanto e me presenteaste tão ricamente. Aconchegaste-me ao teu coração quando brotei do teu coração, concedeste-me a igualdade contigo – Pai, justamente por isso desejo dedicar a ti toda a perfeita obediência, a obediência capaz até mesmo do impossível: morrer a morte sem Deus, a morte de um maldito na cruz! Precisamos ter em vista que para a Bíblia “morte” não é simplesmente um evento natural, mas um poder, um “inimigo”, a esfera de poder de Satanás (1Co 15.26; Hb 2.14; Ap 20.14). Foi nesse reino da morte que o príncipe da vida penetrou submissamente. Certamente faremos bem em primeiramente nos aquietar e contemplar silenciosamente esse amor filial de Jesus. Até mesmo no eterno Filho de Deus o amor do coração somente é consumado na realização do ato. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Ao mesmo tempo, porém, não somos nem mesmo capazes de ver tudo isso sem imediatamente reconhecer sob essa luz também o pecado em sua forma cabal. Pecado é desobediência! Pecado é a autonomia arrogante que se contrapõe a Deus: quero ter minha própria vida, não quero obedecer, quero seguir minha própria vontade. “Dá-me, Pai, a parte dos bens que me cabe”. Ou, potenciado à máxima insolência: nem mesmo existe um “Pai” que tenha algo a me dar, tudo é simplesmente meu! A primeira desobediência no paraíso desencadeou a avalanche da desobediência, aquela avalanche de desgraças, de trevas e sofrimentos que chamamos de “história universal”. Cada pecado individual volta a ser desobediência, os menores pecados são desobediência, aumentando essa avalanche e sendo arrastados por ela. Deus fala, Deus adverte e suplica. Eu, porém – não quero! Essa é a dor do Filho que ama o Pai: Pai, como te desonram com sua desobediência devota ou insolente, todos eles, todos! Pai, deixa-me restabelecer a tua honra! Quero espontaneamente demonstrar que obedeço a ti como um escravo obedece a seu senhor. Pai, ordena-me o mais terrível. Pai, diante de todos os anjos e diante dele, o autor de toda desobediência contra ti, eu serei obediente! “Humilhou-se, pois, a si mesmo, feito obediência até a morte, porém, à morte da cruz”.


Por essa razão o perdão chega a nós, desobedientes e rebeldes, por meio dele. Quem se rende ao Filho obediente, quem se torna membro no corpo desse cabeça, a esse Deus pode absolver. Por isso, no entanto, também é impossível parar na mera “justificação forense”, uma absolvição apenas formal. Quem se entrega a ele, a esse ele torna obediente. Mais adiante Paulo retomará esse ponto.