Explicação de Ezequiel 13

Ezequiel 13

13:1–3 O assunto aqui são falsos profetas (vv. 1–16) e falsas profetisas (vv. 17–23). Os primeiros inventaram profecias de seu próprio coração; eles falhariam com as pessoas quando mais precisassem. Eles usaram as palavras: “O Senhor diz”, mas era uma mentira, uma falsa adivinhação. Hoje precisamos de pregadores que não nos deem seus próprios pensamentos e opiniões, mas que recebam sua mensagem no quarto de oração e da Palavra de Deus. Denis Lane dá as seguintes características da pregação nos dias de Ezequiel:

Nunca subiu mais alto do que as próprias mentes dos pregadores. Afirmava enganosamente ser a palavra de Deus. Não teve nenhum efeito prático ou útil. Ofereceu graça barata e uma falsa paz. Simplesmente endossou a última visão de mundo.
(Denis Lane, The Cloud and the Silver Lining, pp. 53–62.)

13:4–7 Os falsos líderes religiosos, como raposas nos desertos, estão sempre procurando presas em meio à destruição, satisfazendo suas próprias necessidades e desejos. Em uma situação como essa, é dever do pregador ficar nas brechas para interceder e reparar o muro, levando as pessoas ao arrependimento e a uma vida santa. Isso é feito pela pregação da Palavra de Deus.

13:8–16 Eles seriam destruídos por predizer a paz quando não havia paz, por branquear uma parede que estava prestes a desmoronar (revestindo-a com argamassa não temperada). O muro representava os esforços dos governantes para impedir o julgamento divino. Davidson explica a ilustração:

A figura descreve incisivamente os projetos fúteis do povo e a fraca bajulação e aprovação dos profetas. Quando um homem fraco não pode originar nada por si mesmo, ele adquire um certo crédito (pelo menos aos seus próprios olhos) pela forte aprovação dos esquemas dos outros, dizendo: Certo! Dou-lhe minha cordial aprovação e, de fato, teria sugerido isso. O que fez os profetas branquearem o muro que o povo construiu foi, em parte, o sentimento de que, do lugar que ocupavam, deveriam fazer alguma coisa e manter seu crédito como líderes mesmo quando liderados; e em parte talvez que, não tendo sabedoria superior à da massa, aprovaram honestamente sua política. Sendo participantes com eles no espírito da época, eles prontamente concordaram em seus empreendimentos.
(A. B. Davidson, The Book of the Prophet Ezekiel, p. 88.)

Os líderes religiosos apóstatas modernos são exatamente os mesmos — paredes caiadas de branco.16

13:17-23 As profetisas praticavam feitiçaria, colocando encantos mágicos nos pulsos das pessoas e véus em suas cabeças. Eles condenaram algumas pessoas à morte por feitiços mágicos e mantiveram outras vivas. Deus libertaria Seu povo e destruiria essas falsas profetisas. A Bíblia Viva parafraseia os versículos 17–19 da seguinte forma:

Filho do pó, fale também contra as mulheres profetas que fingem que o Senhor lhes deu suas mensagens. Diga-lhes que o Senhor diz: Ai dessas mulheres que estão condenando as almas de meu povo, tanto jovens quanto velhos, amarrando encantos mágicos em seus pulsos e fornecendo-lhes véus mágicos e vendendo-lhes indulgências. Eles se recusam a oferecer ajuda, a menos que obtenham lucro com isso. Por causa de alguns punhados insignificantes de cevada ou um pedaço de pão, você afastará meu povo de mim? Você levou à morte aqueles que não deveriam morrer! E você prometeu vida para aqueles que não deveriam viver, mentindo para o meu povo – e como eles amam isso!

Notas Adicionais:

N. Hom. 13.3 Seu próprio espírito. Enganoso é o íntimo do homem: nunca se sabe quantos impulsos estão no subconsciente de quem acha que está sendo muito fervoroso, muito crente; e por isso que quem realmente quer ser um mensageiro de Deus precisa instruir-se profundamente na Bíblia, dedicar-se sinceramente à oração, e andar corajosamente nos caminhos de Jesus Cristo. Só assim é que o eu dado ao pecado começa a dar lugar à nova criatura, moldada pela mão de Deus (Jr 18 6; 2 Co 5.17; 2 Co 3.18).

13.4 Raposas entre os ruínas. Representa uma pessoa inútil num lugar fútil. É um símbolo de destruição da civilização.

13.6 Visões falsos. Muitos profetas alegavam que tinham visões, a fim de ganhar mais aderentes (1 Rs 13.18), mas aqui, provavelmente, se tratam de visões estimuladas por drogas, por sessões noturnas realizadas em templos pagãos. Aquelas foram comuns no Egito antigo, e estas se praticavam na Grécia, quase até o tempo de Cristo. É um êxtase diabólico, nada tendo a ver com a influenciando Espírito de Deus (11.5).

13.9 Nem entrarão. Jerusalém, com os poucos habitantes que restaram, estaria à destruição; desde já, o profeta está sendo treinado por Deus para legislar o pequeno grupo que, anos mais tarde, impulsionado pela fé, arrependido e cheio de esperança, edificaria uma nova Jerusalém. A ameaça já não é a destruição da cidade (pois isto já foi determinado), mas agora, a ameaça para os infiéis é a de serem excluídos da gloriosa restauração, já profetizada por Isaías (Is 49.22-26).

13.10 Paz. O perigo desta paz é que ela se baseia na confiança humana nas suas próprias virtudes que são, na realidade, um trapo de imundícia. A verdadeira paz com Deus, a paz de Espírito, não pode ter outra base senão o perdão, a santificação e a vida eterna, que só o próprio Deus pode conceder. Deus as concede mediante a obra do Seu Filho Jesus Cristo (Ef 2.1-22).

13.12 Cal. É a cobertura de hipocrisia que os falsos profetas usam para encobrir uma situação pecaminosa (Mt 23.25-33).

13.19 Matardes as almas. Era uma crença primitiva entre muitos povos que a alma da pessoa sai do seu nariz ou da sua boca na hora do seu último suspiro. Daí ter havido muita magia negra para determinar o caminho dessa alma. Os véus e os invólucros mencionados no versículo anterior eram para “enredar as almas”. A profanação do nome de Deus era o uso do Seu nome como se fosse uma palavra mágica, como faziam os exorcistas com o nome de Jesus (At 19.13-16). É claro que tais feiticeiros nenhum poder tinham sobre as almas, que estavam mentindo para o tipo de pessoa que se deixava iludir por tais mentiras. É claro que o destino das almas está na mão de Deus (21).

13.21 Livrarei... sabereis. Um ato de misericórdia divina, de libertação das vítimas, é uma revelação clara do poder e do amor de Deus. Do mesmo modo, o ato de julgar e de destruir a falsidade, a hipocrisia e a religião pagã, também é uma revelação da natureza de Deus (14). A Bíblia é, entre outras coisas, uma narrativa dos atos de Deus, que visavam aos mesmos homens. Quem lê esse histórico, fica conhecendo a Pessoa de Deus, na sua própria vida e experiência.

N. Hom. 13.22 Entristecido. Entre os pagãos, o medo da feitiçaria é tão grande que a morte se produz pelo simples fato de a vítima saber que é alvo de um passe de magia negra. Mas quando é Deus que entristece a alguém, é uma tristeza que produz o arrependimento para a vida eterna (2 Co 7.10). Fortalecestes. Fazer um homem estribar-se em coisas vãs, falsas, supersticiosas, pode dar bom lucro ao falso profeta, mas desviar a confiança do homem da Pessoa de Jesus Cristo, não é fortalecer, mas sim destruir sua alma para a eternidade.

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