Salmo 6 — Contexto Histórico Cultural

Contexto Histórico Cultural 





Salmo 6

6.3 O “ser” aqui (ou “alma”) não é o aspecto espiritual em contraposição ao físico, nem o ser “interior” do salmista em oposição ao “exterior”, mas seu ser como criatura viva, consciente e pessoal. A menção aos “ossos” (também em Salmos 35.9,10: “a minha alma” e “todo o meu ser”) não implicava, para o escritor hebreu, referência a duas entidades distintas, mas consistia em duas maneiras de se referir a si próprio como um todo, como é o caso da combinação entre “alma” e “corpo” (31.9; 63-1). Compare a combinação de “coração” com “ossos”, em 102.4 (ver também a nota).

6.5 A “sepultura” (heb. sheol) refere-se em geral ao caminho para o reino dos mortos, o submundo em que, pensava-se, viviam os espíritos dos que haviam partido. Os israelitas consideravam a morte do modo em que a viam — o inverso da vida, e a ressurreição ainda não fazia parte de sua experiência comunitária com Deus. O sepulcro não significava fugir de Deus (139.8), mas não fica bem claro como consideravam a condição dos fiéis que morreram. Alguns documentos extrabíblicos do antigo Oriente Médio revelam a crença geral de que a imortalidade era reservada aos deuses, mas os mortos continuavam a ter algum tipo de existência no mundo tenebroso do além (ver “Sheol, Hades, Geeru. Abismo e Tártaro: imagens do inferno”, em Sl 139; ver também em Jó 17.13-16).

6:6 Camas israelitas. A metáfora poética do choro na cama também é encontrada na literatura ugarítica: “Suas lágrimas são derramadas como siclos no chão, como pedaços de cinco sobre a cama”. As camas no antigo Israel eram provavelmente aquelas representadas iconograficamente em o Oriente Próximo. Em essência, eram sofás reclináveis e camas altas. Os pobres provavelmente dormiam em esteiras planas no chão, enquanto a pessoa comum usava um berço.

Índice: Salmo 1 Salmo 2 Salmo 3 Salmo 4 Salmo 5 Salmo 6 Salmo 7 Salmo 8 Salmo 9 Salmo 10 e 11