2015/09/23

Significado de Tiago 1

Significado de Tiago 1
Significado de Tiago 1

Tiago 1
1.1 — A tradição da Igreja primitiva identifica o autor Tiago como sendo meio-irmão de Cristo (1 Co 15.7). Ás doze tribos. Essa saudação provavelmente significa que a carta está destinada a cristãos judeus que vivem fora da Palestina. A carta não se destinava a uma igreja específica, mas deveria circular entre várias congregações locais.

1.2-27 — Tiago instrui-nos acerca de como enfrentar dificuldades (v. 2-4), da necessidade de visão espiritual e de fé (v. 5-8), da atitude adequada com relação a riquezas (v. 9-11) e de como vencer a tentação (v. 12-18). Ele nos adverte contra o coração cheio de ira (v. 19,20) e exorta-nos a viver uma vida que cumpra a Palavra de Deus (v. 21-27).

1.2 — As provações (nvi) são circunstâncias externas — conflitos, sofrimentos e aflições — com as quais todos os cristãos se deparam. As provações não são agradáveis e podem ser extremamente dolorosas, mas os cristãos devem considerá-las como oportunidades de alegrar-se. Aflições e dificuldades são ferramentas que refinam e purificam nossa fé, produzindo paciência e perseverança.

1.3 — A palavra traduzida por prova da vossa fé ocorre somente aqui e em 1 Pedro 1.7. O termo, que significa provado ou aprovado, era usado para designar moedas que eram legítimas, e não falsificadas. O objetivo da provação não é destruir ou afligir, mas purificar e refinar. E essencial à maturidade cristã, pois até mesmo a fé de Abraão teve de ser provada (Gn 22.1-8). O significado de paciência transcende a ideia de suportar a aflição; diz respeito a manter-se firme sob pressão, com uma resistência que transforma adversidades em oportunidades.

1.4 — Quando os cristãos resistem à provação, eles são feitos perfeitos, no sentido de terem chegado ao fim, e completos, no sentido de inteiros.

1.5 — A sabedoria que Deus dá não são necessariamente informações sobre como se livrar das dificuldades, mas, em vez disso, é discernimento sobre como aprender com as dificuldades (Pv 29.15). Não se trata de mais informações sobre como evitar momentos de prova, mas uma nova perspectiva a respeito das provações. A sabedoria de Deus começa com uma genuína reverência pelo Todo-poderoso (o temor do SENHOR, no Salmo 111.10; Provérbios 9.10) e uma firme confiança de que Deus está no controle de todas as circunstâncias, guiando-as para Seus bons propósitos (Rm 8.28).

1.6,7 — Duvidando diz respeito a estar com o pensamento dividido ou debater. O termo não descreve uma dúvida momentânea, mas a lealdade dividida, uma incerteza.

1.8 — O significado literal de coração dobre é com duas almas. Se uma parte da pessoa se encontrar em Deus e a outra estiver neste mundo (Mt 6.24), haverá um constante conflito interior.

1.9-11 — Tiago oferece dois exemplos de provações (v. 2-8): um está relacionado a um irmão abatido e o outro é sobre um homem rico. Provavelmente abatido significa pobre, em contraste com o outro homem, que é rico. Glorie-se (tende grande gozo, no v. 2) é um imperativo que concerne ao que deve fazer o cristão pobre, pois Deus o exaltou ao permitir-lhe passar por circunstâncias difíceis, pois elas somente aperfeiçoarão seu caráter e sua fé (v. 4) O cristão rico também pode gloriar-se quando uma provação o abate, porque ela lhe ensina que a vida é curta, e que ele, em seus caminhos, ou seja, em seus afazeres, se murchará. O rico deveria sempre confiar no Senhor, não em si mesmo, muito menos em seu dinheiro.

1.12 — O cristão que sofre provações mostra que ama Jesus e, portanto, receberá a coroa da vida (Ap 2.10) diante do tribunal de Cristo. A Bíblia descreve a recompensa do cristão (2 Co 5.10; Ap 22.12) sob várias imagens vívidas, como metais preciosos (1 Co 3.8-14), vestes (Ap 3.5,18; 19.7,8) e coroas (1 Co 9.25; Ap 2.10; 3.11).

1.13 — O foco do capítulo passa das provações (v. 2-12) para a tentação (v. 13-18). Deus a ninguém tenta. A tentação não vem de Deus. Deus nunca intencionalmente levará uma pessoa a cometer pecado porque isso não somente iria contra Sua natureza, mas seria contrário ao Seu propósito de moldar Sua criação à Sua imagem santa. Contudo, Deus às vezes coloca Seu povo em circunstâncias adversas com o propósito de burilar o seu caráter (Gn 22.1,12). Essas recompensas serão nossas respectivas capacidades ou posições de privilégio e serviço para a glória de Cristo em Seu Reino vindouro (Ap 4.10; 5.10).

1.14,15 — Transformar uma provação em uma tentação para fazer o mal só é possível se a pessoa permitir que o desejo assuma o controle. Atraído e engodado expressam a intensidade com que o desejo seduz um indivíduo até ele se envolver de forma trágica. O pecado não se impõe a quem reluta, mas é fruto de uma escolha em função de seus atrativos.

Concebido sugere a imagem da vontade de uma pessoa pendendo para o mal e, finalmente, sendo dominada por ele. Essa mesma ideia é vividamente ilustrada pelo trágico caminho de um viciado: uma vez adquirido, um hábito, no final das contas, controla completamente o indivíduo. Consumado sugere concluir um objetivo. A ideia aqui é que o pecado alcançou a maturidade e apoderou-se do caráter do indivíduo. A morte aqui se refere à morte física (Pv 10.27; 11.19; Rm 8.13).

1.16-18 — Tiago novamente faz uma ilustração (v. 9-11). Deus não tenta com o mal (v. 13), mas dá a vida espiritual (v. 18), a boa dádiva e o dom perfeito.

1.19 — A introdução de Tiago (v. 2-18) conclui que suportar as provações dá direito a uma coroa da vida (v. 12), e que ceder à tentação pode levar à morte física (v. 15). O cristão em meio a uma provação precisa ser pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar. Essas três exortações revelam o esboço desta carta (Tg 1.21—2.26 no que se refere a pronto para ouvir; Tg 3.1-18 a tardio para falar; e Tg 4.1—5.18 a tardio para se irar).

1.20 — Quando o cristão se irrita com circunstâncias difíceis, a justiça [prática] de Deus não se evidencia em sua vida. Quando alguém nos faz mal, a reação natural é revidar, pelo menos com palavras (v. 19). Mas essa atitude não glorifica a Deus. Refrear a língua, tentar entender a posição da outra pessoa e deixar que Deus exerça a justiça demonstram o amor divino em situações de tensão (Rm 12.17-21).

1.21 — A palavra de Deus que foi enxertada no coração do cristão deve ser recebida com mansidão — o que denotaria um espírito de discípulo —, sem resistência, desacordo ou dúvida. Receber a Palavra de Deus dessa forma irá salvar a alma do cristão, ou seja, sua vida. O pecado leva à morte (v. 15). Já a obediência evita a morte, protegendo o cristão de um comportamento pecaminoso que pode levar direta ou indiretamente à morte física (v. 15; 1 Co 11.30).

1.22 — Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes. Os cristãos que ouvem a Palavra de Deus (v. 9) devem recebê-la com um espírito receptivo (v. 21), aplicando-a em sua vida diária. Ouvir e não obedecer é enganar a si mesmo.

1.23,24 — Aquele que segue esta forma de pensamento irracional age como quem viu ao espelho o seu rosto natural e foi-se. Ele observou, conscientizou-se plenamente das falhas e se esqueceu de pronto.

1.25 — A lei perfeita da liberdade é a lei do amor. Amar a Deus e amar ao próximo resumem a Lei (Mt 26.36-40). Mas é o amor de Cristo (Ef 3.17-19) que nos liberta de nossos pecados para verdadeiramente amarmos os outros (Jo 8.36-38; Gl 5.13).

1.26,27 — Pura (gr. katharos) versus impura é o objeto da discussão, não verdadeira versus falsa. Algumas pessoas passam pela religião (gr. thrêskos) ou pelos aspectos externos da adoração com um coração impuro. Tiago está confirmando que os aspectos externos de atividades religiosas não são aceitáveis para Deus a menos que estejam acompanhados de uma vida santa e um serviço de amor. Ritos e rituais nunca foram um substituto adequado para serviço e sacrifício. A adoração coletiva dentro da igreja não pode ocupar o lugar de obras individuais fora da igreja. A profissão pessoal de fé deve estar associada à expressão pública da fé pessoal.

Visitar vem da palavra grega normalmente traduzida por bispo, uma pessoa que supervisiona o povo de Deus (1 Tm 3.1).

Os órfãos e as viúvas estavam entre as classes mais desamparadas e necessitadas nas sociedades antigas (Ez 22.7). A religião pura não simplesmente dá bens materiais para socorrer os necessitados, mas também atenta para o cuidado deles (At 6.1-7; 1 Tm 5.3-16).


Mais estudos bíblicos sobre a carta de Tiago...

Cf. Teologia do Livro de Tiago
Cf. Carta de Tiago
Cf. Análise da Carta de Tiago
Cf. Comentário da Carta de Tiago



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